Banco Central Europeu preocupa-se com stablecoins em dólar
O Banco Central Europeu (BCE) trouxe à tona, recentemente, um tema bem relevante ao lançar um extenso relatório sobre as stablecoins e sua possível influência na política monetária. A situação é séria: eles estão preocupados com as consequências que a adoção em massa do dólar digital pode trazer para a economia da zona do euro.
Um dos primeiros efeitos que eles destacam é a redução dos depósitos bancários. Imagine se todo mundo começasse a usar uma moeda digital ao invés de guardar seu dinheiro nos bancos tradicionais? Isso poderia diminuir os empréstimos e, em última análise, tornar a política monetária do BCE menos eficaz. Afinal, muitos cidadãos poderiam deixar de utilizar o euro.
Esse não é um assunto novo. Em um evento em junho de 2026, Christine Lagarde, que é a presidente do BCE, já tinha chamado a atenção para a necessidade de criar um euro digital, justamente citando esses e outros possíveis impactos econômicos.
Banco Central Europeu publica estudo sobre stablecoins de dólar
Os dados levantados pelo CoinMarketCap indicam que o mercado de stablecoins está avaliado em nada menos que US$ 316,8 bilhões (cerca de R$ 1,65 trilhão), e a maioria delas está atrelada ao dólar americano. O estudo de 46 páginas do BCE alerta sobre os efeitos de uma adoção mais ampla dessas moedas digitais.
Um trecho impactante do relatório diz que as stablecoins podem “drenar depósitos baratos de varejo”, além de prender os bancos a financiamentos que são voláteis e difíceis de prever. Isso poderia levar a uma diminuição do crédito disponível para a economia real, esfriando a capacidade do BCE de controlar a situação econômica. Para João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin na América Latina, essa é uma situação alarmante, que revela um “pânico silencioso” dos bancos centrais.
Estima-se que as stablecoins atreladas ao dólar possam alcançar um valor de mercado impressionante, variando entre US$ 900 bilhões e US$ 4 trilhões até 2030. Enquanto isso, as stablecoins de outras moedas devem continuar numa faixa bem menor, entre US$ 20 bilhões e US$ 300 bilhões no mesmo período.
O relatório também menciona alguns eventos que alimentaram a busca pelo termo “stablecoins” nos últimos anos, entre eles o colapso da Terra (LUNA) e a implementação da regulação MiCAr na Europa, além de acontecimentos nos Estados Unidos.
BCE está subestimando o potencial das stablecoins, diz J. P. Mayall
Atualmente, as grandes moedas estatais são bastante influenciadas pela política de juros. Juros altos podem encarecer o crédito e tornar investimentos em renda fixa mais atraentes, desacelerando a economia. Enquanto isso, juros baixos oferecem o efeito reverso. O temor do BCE é que, se a população passar a adotar as stablecoins de dólar em larga escala, eles perderão esse controle.
Mayall acredita que os riscos mencionados pelo BCE são valiosos, mas, ao mesmo tempo, ele reforça que o estudo não considera o grande potencial que as stablecoins têm. Segundo ele, essas moedas digitais podem proporcionar pagamentos de forma mais rápida, barata e inclusiva. A mensagem para os bancos tradicionais é clara: adapte-se ou ficará para trás. A inovação pode ser implacável e não espera por quem resiste.
Se até países com uma moeda forte como o euro já estão se preocupando, é fácil imaginar que nações enfrentando inflação intensa e prolongada com certeza sentirão os impactos da adoção do dólar digital de forma ainda mais aguda.





